Obtenha sucesso na produção de camarões de água doce

February 2, 2018

 

Originário de países tropicais como Malásia, Índia e Vietnã, o chamado Camarão da Malásia, Macrobrachium rosenbergii, é uma espécie introduzida e cultivada no Brasil que vem sendo produzida em viveiros escavados, e tem se tornado um negócio promissor nas regiões mais afastadas do litoral.

 

A espécie pode atingir seu peso comercial de 20 gramas em  6 meses em regiões mais frias e de 4 a 5 meses em regiões com temperatura ideal.

 

Os viveiros escavados ou chamados “naturais” são os ideais para a produção dos camarões, já que seu fundo de terra facilita o desenvolvimento de outros animais no qual os camarões se alimentam. Caso, o solo seja arenoso, isso quer dizer, muito permeável, o viveiro poderá ser recoberto por uma geomembrana que evita as perdas de água.

 

Além disso, o produtor deve respeitar o tamanho ideal e a densidade (número de animais por área) dos viveiros, já que os camarões tendem a ser animais territorialistas e agressivos. 

 

O fator limitante para a produção é a qualidade da água. Como são animais tropicais, a temperatura deve estar acima dos 20°C. Em regiões onde a temperatura varia muito, o cultivo deve ser realizado nas épocas mais quentes do ano, como é o caso de algumas regiões do estado de São Paulo e região Sul ou em estufas climatizadas.

 

O pH precisa está em torno da neutralidade, aproximadamente 7,0. Em caso de acidez da água pode-se fazer uso de calcário dolomítico seguindo a quantidade específica de 100 gramas por metro quadrado. 

 

O camarão da Malásia não se reproduz em água doce, ele apenas se desenvolve nela. Dessa forma, a reprodução e o crescimento das larvas ocorre em água salobra (água que apresenta mais sais dissolvidos que a água doce e menos sais dissolvidos que a água do mar) em galpões fechados até atingirem a fase de pós-larva, que são os camarões juvenis. Em seguida, são transferidos para o viveiro com água doce, caso contrário morrem. É na fase de pós-larvas que os criadores devem começar o cultivo.

 

A alimentação ocorre de maneira artificial através das rações balanceadas e de maneira natural através dos organismos que crescem nos viveiros, como por exemplo larvas de insetos. O ideal é os camarões se alimentarem desses dois meios, pois um complementa o outro atendendo suas necessidades nutricionais, o que faz os animais se desenvolverem mais rápido.

 

O maior cuidado deve ser com os predadores, sendo o principal deles as larvas de libélulas, da Ordem Odonata, que ocorrem em grande quantidade nos viveiros no momento de povoamento do tanque.

** O pulo do gato para evitar esse tipo de ataque: Recomenda-se que os viveiros de cultivo sejam enchidos com água no máximo um dia antes da entrada dos camarões, para que não dê tempo das libélulas colocarem seus ovos nos viveiros e as larvas eclodirem. Os camarões precisam chegar ao viveiro antes das larvas de libélulas, para que não sejam o alimento e, sim, o predador.

 

A despesca, que é o recolhimento dos camarões, ocorre quando os animais atingem um peso médio de 20 gramas. Para isso, é feito mensalmente por meio de redes uma amostragem dos animais para acompanhar o crescimento; já que, normalmente, o produtor não enxerga os animais nos viveiros, pois estes se escondem no fundo, não aparecendo nem para pegar a ração.

Para realizar a despesca é preciso baixar o nível de água do viveiro pela metade e passar a rede diversas vezes, isso servirá para retirar o maior número de camarões. Em seguida, deve-se secar totalmente o viveiro e retirar os camarões restantes. É importante sincronizar bem esse tempo para impedir que o viveiro seque totalmente com muitos camarões ainda por retirar, evitando assim, que estes morram por asfixia (falta de oxigênio). O criador deve evitar a morte dos camarões no momento da despesca e seguir as recomendações corretas de abate desses animais.

 

Para o abate, os camarões devem ser retirados do viveiro ainda vivos, lavados em água doce corrente e clorada e, em seguida, mergulhados em água gelada para que a morte seja instantânea. Posteriormente, os camarões devem ficar cobertos com gelo e em caixas térmicas até a comercialização.

Caso a venda não ocorra em 24 horas, os animais devem ser congelados inteiros em freezers industriais à uma temperatura de 35 ºC negativos (-35°) para que não percam suas características orgânicas.

 

 

Uma dica é realizar o sistema integrado chamado de policultivo, em que são criados camarões, peixes e outros organismos aquáticos juntos no viveiro. É eficiente, desde que realizado com critérios e manejo adequado. Os melhores resultados de policultivo são conseguidos usando tilápias.

 

Ante todo o exposto, o policultivo não é recomendado para produtores de camarão sem experiência, pois é um sistema complexo que exige um bom conhecimento prévio dos dois processos (o de camarão e das tilápias).

 

Por fim, e não menos importante essas atividades devem ser legalizadas e acompanhadas por assistência técnica.

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