A Bovinocultura Brasileira e o oriente médio


No início do mês de agosto, o Líbano sofreu uma grande explosão em um de seus principais armazéns do Beirute, capital do país. O local se tratava do principal porto de exportação do Brasil, um dos parceiros dos libaneses no comércio de gado vivo, além de cortes congelados. Segundo Rala Saleh, sócio de trading que atua diretamente na venda de carnes brasileiras no Oriente Médio, as exportações devem ser afetadas e precisarão se readaptar por um período ainda indeterminado, uma vez que o projeto de reconstrução do porto será executado a longo prazo. Sendo assim, não há previsões para as relações comerciais do ramo de bovinos vivos e carnes congeladas se estabilizarem.

No entanto, o Líbano manterá seus investimentos nos produtos brasileiros que não precisam de refrigeração, bem como as entregas serão desviadas para dois portos menores que são aptos a receber mercadorias do Brasil.

O Brasil vem conquistando espaço no comércio de carne bovina com o Oriente Médio desde que a Índia reduziu as exportações de carne de búfalo. No entanto, o foco nos países árabes não está relacionado apenas aos cortes de carne, mas também direcionado para as exportações de gado vivo, cujo avanço brasileiro classifica-se como exponencial.

Inicialmente, o comércio tinha a função de satisfazer as tradições religiosas de alguns países árabes e neste período (2002), o Brasil representava uma parcela mínima no mercado. Apesar disso, surgiram novas demandas no fim da primeira década dos anos 2000 e isto fez com que o país rapidamente se tornasse um grande exportador.

Em 2008, cerca de 27,4 % da venda foi exportada para o Líbano, primeiro país a se interessar pelo Brasil e que o fez se deslanchar no mercado e se tornar, em 2009, o quarto maior exportador do ramo. Na década seguinte, em 2014, o país continuou a investir no Brasil, chegando a importar cerca de 128 milhões de dólares de bovinos vivos e 14,2 milhões de dólares de carne in natura.

O Oriente Médio consiste em um grupo de nações cuja cultura e religião são bastante diversificadas, no entanto, a maior parte da população é composta por muçulmanos e uma das principais tradições religiosas se trata do consumo de carne halal, em que o método de preparo exige fidelidade aos procedimentos determinados pela legislação dos países que a consomem. Nesse sentido, para que os frigoríficos brasileiros possam vender este tipo de carne, são necessárias medidas de certificação, bem como auditorias nas indústrias, que resultam em um processo mais demorado, além de custos elevados. Sendo assim, a venda de gado vivo torna torna-se a alternativa mais promissora para o comércio brasileiro.

Em 2019, os embarques para o Líbano somaram 32,9 mil toneladas, sendo a terceira maior exportação, atrás do Iraque (46,6 mil) e Turquia (52,7 mil), de acordo com dados do sistema Agrostat, do Ministério da Agricultura. A receita também foi a terceira maior, no total de 52,9 milhões de dólares, depois do Iraque, 89,2 milhões e Turquia, 116,9 milhões de dólares.

Na região do Oriente Médio há outros líderes de consumo da carne brasileira, com destaque para o Egito, cuja preferência são os cortes congelados. Ano passado, as importações egípcias somaram 165,5 mil toneladas e renderam para o Brasil um volume de 484 milhões de dólares.

O país ainda conta com uma previsão de 50% de aumento nas exportações até a próxima década, entre carne bovina e outras proteínas animais, segundo a pesquisa Outlook 2029 da Federação das Indústrias de São Paulo. Sem dúvidas, a bovinocultura é um mercado que se manterá promissor por muitos anos para o Brasil.

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